Guia Trabalhista
PLR 2026: Guia Completo de Participação nos Lucros e Resultados
Juliano foi demitido em novembro e recebeu a rescisão sem a PLR — a empresa alegou que ele "não cumpriu o período completo". Bianca estava de licença-maternidade quando a PLR foi distribuída e o RH disse que ela havia "perdido" o benefício por estar afastada. Carla recebeu a PLR mas notou que o valor foi muito menor do que o esperado, com um desconto de INSS que ela não sabia ser indevido. Os três perderam dinheiro por desconhecer seus direitos — e não precisavam ter perdido. A PLR é um dos benefícios trabalhistas mais valiosos e ao mesmo tempo mais mal compreendidos do Brasil. Este guia existe para que você saiba exatamente a que tem direito, quando a empresa pode ou não negar, como é tributada e o que fazer quando algo sai errado.
O que é PLR (Participação nos Lucros e Resultados)?
A PLR — Participação nos Lucros e Resultados — é um instrumento de remuneração variável pelo qual o empregador distribui parte dos lucros ou dos resultados alcançados pela empresa entre seus empregados. Ela está prevista no art. 7º, XI da Constituição Federal de 1988 e regulamentada pela Lei 10.101/2000.
A PLR tem uma característica que a torna muito atrativa para empregados e empregadores: ela não tem natureza salarial. Isso significa que, em regra, não incide INSS, não entra no cálculo de férias, 13º salário, FGTS nem aviso prévio. Para o empregado, parte do valor que receberia normalmente com desconto de IR e INSS chega mais íntegro — e com uma tabela de imposto de renda exclusiva e mais favorável.
Há, porém, uma distinção fundamental que muita gente confunde: a PLR só tem esses benefícios fiscais quando é negociada corretamente, nos termos da Lei 10.101/2000. PLR paga de forma irregular — sem negociação coletiva ou comissão paritária, ou com critérios unilaterais da empresa — pode ter sua natureza salarial reconhecida pela Justiça do Trabalho, o que gera autuações para a empresa e eventual aumento de direitos para o trabalhador.
PLR, bônus e comissão: qual a diferença?
Muitas empresas usam esses termos como sinônimos — mas são instrumentos juridicamente distintos, com tributações, naturezas e proteções diferentes:
| Critério | PLR | Bônus | Comissão |
|---|---|---|---|
| Base legal | CF art. 7º, XI + Lei 10.101/2000 | CLT arts. 457, 476-A | CLT art. 457, § 1º |
| Natureza salarial | Não — se negociada corretamente | Sim — se habitual | Sim — integra o salário |
| Incide INSS? | Não | Sim | Sim |
| Incide FGTS? | Não | Sim | Sim |
| Entra no 13º? | Não | Sim (se habitual) | Sim |
| Entra nas férias? | Não | Sim (se habitual) | Sim |
| Tributação IR | Tabela exclusiva (mais favorável) | Tabela progressiva normal | Tabela progressiva normal |
| Quem define o valor | Negociação coletiva ou comissão paritária | Empregador (unilateral) | Contrato de trabalho |
| Obrigatório? | Somente se previsto em CCT ou acordo | Se habitual, vira direito adquirido | Se pactuado, obrigatório |
⚠ Atenção: "bônus" chamado de PLR
Muitas empresas chamam o bônus de "PLR" para se beneficiar da isenção de INSS e FGTS, mas não seguem as regras da Lei 10.101/2000. Se a empresa paga "PLR" sem negociação coletiva, sem comissão paritária e com critérios exclusivamente seus, o benefício pode ser reconhecido como salário pela Justiça — e a empresa terá que pagar FGTS, INSS e reflexos retroativos sobre todos os valores pagos.
O que diz a Lei 10.101/2000
A Lei 10.101/2000 é o diploma que regulamenta a PLR no Brasil e estabelece as condições para que ela mantenha sua natureza não salarial:
A PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos seguintes instrumentos: convenção ou acordo coletivo (com o sindicato) ou comissão paritária escolhida pelas partes, com participação de um representante indicado pelo sindicato da categoria.
Dos instrumentos de negociação devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação — incluindo indicadores de resultado, metas a serem alcançadas, prazos de revisão e prazo de vigência do acordo.
A participação de que trata o art. 2º não substitui nem complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade.
É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR de forma unilateral pela empresa, ou que não esteja vinculada aos resultados obtidos. Pagamento sem critério objetivo é nulo para fins da isenção fiscal.
O número máximo de parcelas da PLR em cada período-base é de duas, sendo o intervalo mínimo entre elas de um trimestre. Empresas que pagam a PLR em mais de duas parcelas anuais podem ver a isenção de encargos questionada.
Quem tem direito à PLR?
Todo empregado CLT da empresa tem direito à PLR quando ela estiver prevista em convenção ou acordo coletivo. A lei não permite que a empresa distribua PLR apenas para alguns funcionários e exclua outros do mesmo grupo — isso configuraria discriminação vedada pelo art. 5º da Lei 10.101/2000.
A PLR pode, porém, ter critérios diferenciados por cargo, setor ou nível hierárquico, desde que definidos objetivamente no acordo. É válido, por exemplo, que gerentes recebam percentuais maiores do que operadores — desde que isso esteja no instrumento coletivo. O que não é válido é excluir arbitrariamente um funcionário que cumpriu os critérios estabelecidos.
Categorias e situações específicas
Empregado CLT com carteira assinada
✅ Tem direito se previsto na CCT ou acordo coletivo da empresa
Empregado admitido durante o período
✅ Proporcional ao tempo trabalhado no período de apuração
Aprendiz (CLT art. 428)
✅ Tem direito — é empregado com vínculo CLT
Estagiário (Lei 11.788/2008)
❌ Não tem vínculo de emprego — sem direito à PLR
PJ / prestador de serviços
❌ Sem vínculo CLT — sem direito, salvo vínculo empregatício reconhecido
Trabalhador em home office
✅ Regime remoto não altera o direito à PLR
Empregado afastado pelo INSS
⚠ Depende do acordo — regra geral: proporcional ao período trabalhado
Empregado demitido antes do pagamento
⚠ Depende da CCT — pode ter direito proporcional (ver seção específica)
A empresa é obrigada a pagar PLR?
Não existe obrigação legal genérica de pagar PLR. A empresa só é obrigada a pagar quando:
- Há convenção coletiva ou acordo coletivo da categoria que prevê a PLR
- A empresa firmou acordo de PLR com seus empregados via comissão paritária
- A empresa tem costume de pagar (habitualidade) e a supressão pode ser contestada
- O contrato individual de trabalho prevê a PLR como parte da remuneração
O ponto mais relevante na prática é o da habitualidade: se a empresa pagou PLR por vários anos seguidos e de repente deixa de pagar sem justificativa objetiva vinculada aos resultados, o TST tem reconhecido o direito à PLR como direito adquirido — especialmente quando não há crise comprovada nem meta não atingida que justifique a supressão.
🚫 A empresa NÃO pode negar PLR quando:
- • O empregado cumpriu todos os critérios do acordo e a empresa alcançou as metas
- • Está prevista em CCT e a empresa a ignora unilateralmente
- • É paga há anos e a supressão não está vinculada a resultado objetivo
- • O empregado estava afastado por motivo previsto como neutro no acordo
- • A gestante estava em licença-maternidade (discriminação vedada)
Como funciona a negociação da PLR
A Lei 10.101/2000 prevê dois caminhos para negociar a PLR, ambos igualmente válidos:
Caminho 1: Convenção ou acordo coletivo com o sindicato
A empresa e o sindicato da categoria sentam à mesa e negociam os termos da PLR — percentuais, metas, indicadores, prazo de pagamento e critérios de elegibilidade. O resultado é uma cláusula na CCT (convenção coletiva de trabalho) ou no ACT (acordo coletivo de trabalho). Esse é o caminho mais comum em grandes empresas e em setores com sindicatos ativos (metalúrgico, bancário, petroquímico).
Caminho 2: Comissão paritária
Nas empresas sem sindicato forte ou que preferem negociar internamente, forma-se uma comissão paritária — composta por igual número de representantes da empresa e dos empregados, mais um representante indicado pelo sindicato (mesmo sem voto, para garantir transparência). Essa comissão negocia as regras e assina o acordo que dará validade à PLR.
💡 O que o acordo de PLR precisa ter
- • Indicadores objetivos de resultado (lucro, receita, produção, satisfação do cliente)
- • Metas claras e mensuráveis com critério de apuração
- • Prazo de vigência do acordo
- • Prazo e forma de pagamento
- • Critérios de elegibilidade (tempo mínimo, critérios de desempenho)
- • Regras para afastados, demitidos e admitidos durante o período
Metas abusivas: quando o acordo é inválido
A Lei 10.101/2000 exige que as metas sejam objetivas e alcançáveis. Acordos de PLR com metas impossíveis de atingir — ou que mudam retroativamente no meio do período — são nulos. A jurisprudência trabalhista tem reconhecido o abuso quando:
- A meta é fixada unilateralmente pela empresa e alterada durante o período sem negociação
- O indicador de resultado escolhido não reflete o esforço dos empregados (ex: resultado global da multinacional quando a filial brasileira foi lucrativa)
- Critérios subjetivos de "avaliação de desempenho" são usados para excluir empregados sem parâmetro objetivo
- A empresa altera a fórmula de cálculo no momento da apuração, reduzindo o valor
Nessas situações, o trabalhador pode contestar o acordo de PLR na Justiça do Trabalho e pedir o reconhecimento do direito ao pagamento integral, mais diferenças com correção e juros.
Tributação da PLR: IR, INSS e FGTS
A tributação da PLR é um dos seus grandes diferenciais. Quando negociada corretamente nos termos da Lei 10.101/2000, ela tem um tratamento fiscal muito mais favorável do que o salário:
| Encargo / Imposto | Incide na PLR? | Observação |
|---|---|---|
| INSS (parte do empregado) | ❌ Não incide | PLR não é salário — não integra a base de cálculo do INSS |
| FGTS (8%) | ❌ Não incide | PLR não tem natureza salarial — não gera depósito de FGTS |
| Imposto de Renda (IRRF) | ✅ Sim — tabela exclusiva | Alíquota progressiva exclusiva, separada do salário (ver tabela abaixo) |
| Contribuição sindical | ❌ Não incide | Sem natureza salarial, sem contribuição compulsória |
| Férias (1/3) | ❌ Não integra base | Não reflete em férias, salvo cláusula em CCT prevendo o contrário |
| 13º salário | ❌ Não integra base | PLR não entra no cálculo do 13º — é valor independente |
| Aviso prévio | ❌ Não integra base | Sem reflexo no aviso prévio trabalhado ou indenizado |
| Multa de 40% do FGTS | ❌ Não integra base | Como não gera FGTS, não há incidência da multa rescisória |
PLR paga INSS?
Não. A PLR negociada nos termos da Lei 10.101/2000 não sofre desconto de INSS — nem na parte do empregado nem na cota do empregador. Essa é uma das vantagens fiscais mais significativas do instrumento: o trabalhador recebe o valor bruto menos apenas o IR com a tabela exclusiva. Se você percebeu desconto de INSS na PLR no seu holerite, exija esclarecimento do RH — pode ser um erro que gera direito a restituição.
Tabela de IR exclusiva da PLR em 2026
A PLR tem uma tabela de Imposto de Renda exclusiva e progressiva, separada da tabela normal do salário. Isso significa que uma PLR elevada não "sobe a alíquota" do seu salário mensal — os dois são tributados independentemente:
| Faixa da PLR (anual) | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 7.640,80 | Isento | R$ 0,00 |
| De R$ 7.640,81 a R$ 9.922,28 | 7,5% | R$ 573,06 |
| De R$ 9.922,29 a R$ 13.167,00 | 15% | R$ 1.317,23 |
| De R$ 13.167,01 a R$ 16.380,38 | 22,5% | R$ 2.304,76 |
| Acima de R$ 16.380,38 | 27,5% | R$ 3.123,19 |
Exemplo de cálculo: PLR de R$ 12.000
PLR entra no cálculo de férias e 13º?
Como regra geral, não. A PLR paga nos termos da Lei 10.101/2000 não tem natureza salarial e, portanto, não reflete no cálculo de férias, 13º salário, FGTS, aviso prévio nem rescisão. Esse é justamente um dos pilares que distingue a PLR do bônus.
A exceção ocorre quando a PLR é paga de forma irregular — sem negociação coletiva, com critérios unilaterais ou com pagamento desvinculado de resultados objetivos. Nesse caso, o TST pode reconhecer natureza salarial ao pagamento, e aí sim os reflexos em férias, 13º e FGTS são devidos, com o pagamento retroativo acrescido de correção e juros.
✅ PLR não reflete em (quando regular):
Quando a empresa paga a PLR errado
Os erros mais comuns das empresas ao pagar a PLR — e o que o trabalhador pode fazer:
Descontar INSS sobre a PLR
Lei 10.101/2000, art. 3ºPLR não é salário — INSS não incide. Exija o estorno no mês seguinte ou via declaração de IRPF.
Pagar valor menor sem justificativa nas metas
Lei 10.101/2000, art. 2º, § 1ºSe as metas foram atingidas e o valor é inferior ao acordo, exija a diferença. Guarde o extrato do resultado para comparar com o cálculo.
Não pagar PLR proporcional ao demitido
CCT da categoria + jurisprudência TSTMuitos acordos preveem o direito proporcional. Verifique a CCT ou o acordo e exija o proporcional na rescisão.
Não pagar PLR a quem estava de licença-maternidade
Lei 9.029/95 + CF art. 5ºLicença-maternidade não pode ser usada para excluir a trabalhadora da PLR. É discriminação vedada.
Mudar critérios de apuração após o início do período
Lei 10.101/2000, art. 2º, § 1º + CLT art. 468Alteração unilateral de metas ou critérios no meio do período invalida o acordo. O trabalhador pode exigir o valor original.
Descumprir o prazo de pagamento previsto no acordo
CLT art. 477 + lei geral de moraAtraso gera multa de 1% ao mês sobre o valor + juros de mora. Se o acordo prevê fevereiro e a empresa paga em junho, há direito à multa.
Fui demitido antes do pagamento da PLR: perco o direito?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes — e a resposta depende do que está no acordo. Na ausência de cláusula expressa excluindo o demitido, o TST tem reconhecido o direito à PLR proporcional ao período trabalhado dentro do exercício de apuração.
Juliano trabalhava em uma empresa do setor financeiro. Em novembro, foi demitido sem justa causa. A PLR era paga em fevereiro do ano seguinte, com base no resultado do ano anterior. O acordo não tinha cláusula excluindo expressamente os demitidos. Na ação trabalhista, o TRT reconheceu que Juliano tinha direito à PLR proporcional aos 11 meses trabalhados naquele ano — e condenou a empresa a pagar o valor com correção monetária e juros desde fevereiro.
Situações práticas vs. direito do trabalhador
| Situação prática | Direito do trabalhador |
|---|---|
| Demitido sem justa causa antes do pagamento da PLR | Direito proporcional ao período trabalhado, salvo cláusula expressa em contrário na CCT |
| Pediu demissão antes do pagamento | Depende da CCT — muitos acordos excluem quem pediu demissão |
| Demitido por justa causa | Depende da CCT — alguns acordos excluem; sem cláusula, há direito proporcional |
| Afastado pelo INSS (B31 ou B91) durante o período | Período de afastamento geralmente não é descontado, salvo previsão expressa |
| Licença-maternidade durante o período | Direito integral — licença não pode reduzir a PLR (discriminação vedada) |
| Admitido durante o período de apuração | Direito proporcional ao tempo trabalhado no período |
| Em home office no ano da PLR | Direito integral — regime remoto não altera o direito à PLR |
| Empresa não atingiu a meta do acordo | Sem direito — se a meta era objetiva e não foi atingida, não há PLR devida |
Afastamento pelo INSS e PLR: o que acontece?
Quando o trabalhador fica afastado pelo INSS — seja por auxílio-doença comum (B31) ou acidentário (B91) — o período de afastamento precisa ser previsto no acordo de PLR para ser tratado de forma específica. Em geral, há três abordagens:
Acordo não menciona o afastamento
O trabalhador recebe a PLR proporcional ao período efetivamente trabalhado (descontados os meses de afastamento). É o entendimento mais comum na ausência de previsão expressa.
Acordo prevê que afastamento não desconta
O trabalhador recebe a PLR integral, como se estivesse em atividade durante todo o período. Essa cláusula é legal e beneficia o empregado.
Acordo prevê exclusão total para afastados
Juridicamente questionável para o B91 (acidente de trabalho). Excluir totalmente o trabalhador acidentado da PLR pode ser considerado discriminatório e viola a proteção ao acidentado.
Como calcular a PLR: métodos mais comuns
Não há uma fórmula universal para a PLR — o cálculo depende do que está no acordo. Os três modelos mais utilizados no Brasil são:
Percentual fixo sobre o salário
O acordo prevê um percentual do salário de cada empregado como PLR. Ex: 1 salário mensal ou 80% do salário mensal para quem atingiu todas as metas.
Exemplo: Salário de R$ 4.000 × 80% = PLR de R$ 3.200 brutos
Percentual sobre o lucro líquido da empresa
A empresa distribui X% do lucro líquido apurado no exercício, rateado proporcionalmente entre os empregados (por salário, por cargo ou igualitariamente).
Exemplo: Lucro de R$ 1.000.000 × 5% = R$ 50.000 a distribuir entre os empregados
Metas por indicadores (resultado)
Cada meta atingida (produtividade, qualidade, vendas, absenteísmo) gera um valor ou percentual. O trabalhador recebe a soma dos indicadores que atingiu.
Exemplo: Meta 1 (produção): R$ 500. Meta 2 (qualidade): R$ 300. Meta 3 (assiduidade): R$ 200. PLR = R$ 1.000
PLR proporcional: como calcular para quem entrou ou saiu durante o ano
Fórmula: PLR proporcional
PLR proporcional = (PLR integral ÷ 12) × meses trabalhados no período
Exemplo: PLR integral de R$ 6.000. Empregado trabalhou 9 meses no período:
Casos reais: o que aconteceu na Justiça
Juliano — demitido em novembro, PLR negada em fevereiro
Juliano era analista de controladoria em uma empresa do setor financeiro. Em novembro de 2023, foi demitido sem justa causa. Em fevereiro de 2024, a empresa distribuiu a PLR referente ao ano anterior — e Juliano não recebeu nada. A empresa alegou que "quem não está mais na empresa não tem direito". O advogado de Juliano leu o acordo de PLR e não encontrou cláusula excluindo demitidos. A ação pediu a PLR proporcional aos 11 meses trabalhados. O TRT condenou a empresa a pagar R$ 18.700,00 — o proporcional com correção monetária e juros desde fevereiro.
Resultado: R$ 18.700 — PLR proporcional reconhecida sem cláusula excludenteBianca — licença-maternidade e PLR "zerada"
Bianca ficou em licença-maternidade de março a julho de 2023 (5 meses). A PLR era anual e paga em março do ano seguinte. O RH disse que Bianca receberia apenas 7/12 da PLR, pois "ficou 5 meses sem trabalhar". O acordo coletivo, porém, não previa desconto por licença-maternidade — e a jurisprudência trabalhista é pacífica: licença-maternidade não pode ser computada negativamente na PLR, pois isso configura discriminação de gênero e violação da proteção à maternidade. O sindicato interveio e Bianca recebeu a PLR integral.
Resultado: PLR integral — licença-maternidade não pode ser descontadaCarla — INSS descontado indevidamente na PLR por 4 anos
Carla era supervisora de atendimento em uma empresa de telecomunicações. Durante quatro anos, o holerite mostrava desconto de INSS sobre a PLR — a empresa simplesmente replicava o cálculo do salário para a PLR. Ao consultar um contador, Carla descobriu o erro. Pediu restituição ao RH, que negou. A ação trabalhista resultou na condenação da empresa a restituir todos os descontos indevidos de INSS dos últimos 5 anos (prescrição quinquenal), totalizando R$ 9.400,00 em descontos indevidos restituídos com juros.
Resultado: R$ 9.400 — INSS indevido restituído com correção e jurosPerguntas frequentes sobre PLR
A PLR aparece na CTPS (carteira de trabalho)?
Não. A PLR não é anotada na CTPS por não ter natureza salarial. Ela aparece no holerite/contracheque e na declaração de imposto de renda como rendimento exclusivo na fonte (informe de rendimentos da empresa).
PLR conta para o limite do imposto de renda anual?
A PLR tem tributação exclusiva na fonte — ela não entra na declaração anual como rendimento tributável comum, o que significa que não eleva sua alíquota na declaração anual. Mas ela aparece no informe como "rendimento sujeito à tributação exclusiva", e o IR retido é definitivo.
Posso receber PLR em mais de duas parcelas no ano?
A Lei 10.101/2000 permite no máximo duas parcelas por período-base (geralmente um ano), com intervalo mínimo de um trimestre entre elas. Se a empresa pagar em mais parcelas, a isenção de INSS pode ser questionada pela Receita Federal.
A empresa pode pagar PLR para alguns funcionários e não para outros?
Pode diferenciar por cargo, setor ou hierarquia, desde que os critérios sejam objetivos e previstos no acordo. Não pode excluir arbitrariamente um empregado que cumpriu todos os critérios enquanto seus colegas na mesma situação recebem.
A PLR entra no cálculo da rescisão indireta?
Não como base de cálculo, mas a não-pagamento de PLR devida pode ser um dos fundamentos para a rescisão indireta (CLT art. 483, d), se for repetido e relevante. O valor da PLR não integra o cálculo das verbas rescisórias, mas pode ser pleiteado separadamente na ação.
Trabalhador em home office tem direito à PLR?
Sim. O regime de trabalho remoto não altera o direito à PLR. O trabalhador em home office tem os mesmos direitos que o presencial no que diz respeito à PLR, pois o que importa é o vínculo de emprego e o cumprimento dos critérios do acordo — não o local onde o trabalho é executado.
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Conclusão: PLR é direito — e exige atenção
A PLR é um dos instrumentos de remuneração mais poderosos do direito trabalhista brasileiro: sem INSS, sem FGTS, com tabela de IR exclusiva e mais favorável. Para o trabalhador, é uma forma de receber uma fatia relevante da renda anual com menos tributação. Para a empresa, é uma forma de recompensar desempenho sem gerar encargos sobre a folha.
Mas esses benefícios dependem de uma negociação legítima. Quando a empresa paga "PLR" de forma irregular, o trabalhador pode — e deve — exigir o reconhecimento da natureza salarial e todos os reflexos que decorrem disso. Quando a empresa paga corretamente mas comete erros (INSS indevido, exclusão ilegal, atraso), também há remédios jurídicos eficazes.
Leia o acordo de PLR da sua empresa — ou peça ao sindicato ou ao RH. Confira se os critérios são objetivos, se o cálculo está correto e se os descontos no contracheque são devidos. Conhecer as regras do jogo é o primeiro passo para garantir que você receba o que é seu.
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